segunda-feira, agosto 21, 2017

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domingo, agosto 20, 2017

Comentários Eleison: Por que Tradição?

Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DXXVII (527) (19 de agosto de 2017)


POR QUE TRADIÇÃO?



Resuma o Concílio para mim, se puder!
Sim, é isto: o verdadeiro Deus deve dar lugar ao homem.

Se é verdade que está crescendo uma geração de católicos tradicionalistas que não sabem por que são tradicionalistas, este é definitivamente um dos motivos pelos quais a Fraternidade Sacerdotal São Pio X "está perdendo seu sabor" – ver Mt 5, 13. Para conservar a Fé, todo católico deve saber por que precisa seguir a Tradição. Ora, o Concílio Vaticano II foi indiscutivelmente o maior assalto à Tradição Católica em toda a história da Igreja. Vejamos, então, o útil resumo de dez pontos do novo ensinamento do Vaticano II publicados em uma enciclopédia modernista, juntamente com uma indicação breve do erro em cada ponto. Os dez pontos estão em itálico, e sua refutação concisa vem imediatamente depois de cada ponto:

1. A Igreja é, em primeiro lugar, um mistério, ou sacramento, e não primeiramente uma organização ou instituição. "Mistério" e "sacramento" são palavras deliberadamente vagas para afastar-se da estrutura da Igreja, mas Nosso Senhor instituiu claramente Pedro para liderar Seus apóstolos e discípulos na salvação das almas. Pedro é o Papa, e nas Epístolas de São Paulo os Apóstolos claramente se tornam Bispos, e os discípulos tornam-se padres.

2. A Igreja é todo o povo de Deus, não apenas a hierarquia, o clero e os religiosos. É claro que a Igreja Católica inclui todos os católicos e sacerdotes, mas os sacerdotes são sua espinha dorsal, ou estrutura.

3. A missão da Igreja inclui ações em prol da justiça e da paz, e não se limita à pregação da Palavra e à celebração dos sacramentos. A doutrina e os sacramentos são os meios básicos pelos quais a Igreja Católica contribuiu mais do que qualquer pessoa ou qualquer coisa para a justiça e a paz no mundo.

4. A Igreja inclui todos os cristãos, e não se limita à Igreja Católica. Os "cristãos" não católicos jamais podem ser considerados verdadeiramente cristãos, porque rejeitam mais ou menos o que Nosso Senhor instituiu.

5. A Igreja é uma comunhão, ou colégio, de igrejas locais, que não são simplesmente subdivisões administrativas da Igreja Universal. O caos de hoje nas "igrejas locais" em todo o mundo prova como elas precisam absolutamente estar unidas e administradas por um santo Papa Universal em Roma.

6. A Igreja é uma comunidade escatológica; ainda não é o Reino de Deus. Onde quer que as almas estejam em estado de graça, ali Deus é Rei, não só no Céu, mas também aqui embaixo na terra.

7. O apostolado dos leigos é uma participação direta no apostolado da Igreja, e não simplesmente uma colaboração na missão da hierarquia. Assim como o corpo humano precisa do esqueleto e da carne, o Corpo místico da Igreja precisa de clérigos e dos leigos (cf. 1 Cor. 12). Os erros opostos (clericalismo e laicismo) são gerados pelo exagero do papel de um ou de outro. A Igreja precisa de ambos.

8. Existe uma hierarquia de verdades; nem todos os ensinamentos da Igreja são igualmente obrigatórios ou essenciais para a integridade da fé católica. Somente as verdades não dogmáticas podem ser classificadas em ordem de importância. Todos os dogmas católicos têm o mesmo peso, porque negar apenas um é negar a autoridade de Deus que está por trás de todos eles.

9. Deus usa outras igrejas cristãs e religiões não cristãs para oferecer a salvação a toda a humanidade; A Igreja Católica não é o único meio de salvação. Para todos os homens vivos Deus oferece graças suficientes para a salvação. Estas podem vir aos homens EM religiões não cristãs ou em "igrejas" não católicas, mas nunca podem vir ATRAVÉS de nada ou de ninguém, a não ser através de Jesus Cristo e de Sua única Igreja Católica.

10. A dignidade da pessoa humana e a liberdade do ato de fé são o fundamento da liberdade religiosa para todos, contra a visão de que "o erro não tem direitos". O catolicismo é a única religião verdadeira, então a única liberdade religiosa verdadeira é a liberdade de ser católica. O erro realmente não tem direitos.


Kyrie eleison.

quinta-feira, agosto 17, 2017

Mentiras dos Rosacruzes: segredos e fábulas



MENTIRAS DOS ROSACRUZES-AMORC

Rosacruzes: segredos e fábulas

PARTE 1


Por José Roldão


Um amigo me enviou alguns trechos de um livro bem apreciado nos meios rosacruzes e, sinceramente, eu não sei se rio ou se choro. São tantas as afirmações gratuitas e sem qualquer respaldo histórico, quando não falsificações notórias, que me custa acreditar que exista alguém que acredite nisso. O nome do livro é «VIDA MÍSTICA DE JESUS», do inventor da rosacruz amorc, chamado de doutor não sei por que, H. Spencer Lewis[1].


Selecionarei alguns trechos a título de ilustração. É impressionante como, através de afirmações gratuitas, são «atestadas» verdades pelo simples fato de serem afirmadas como tais, por mais que a afirmação seja absurda, sem qualquer noção ou senso de realidade. Pior: são denominadas como sendo fatos históricos, apesar de nenhum documento atestadamente histórico e válido ser mostrado ou indicado, algum documento verificável ou acessível. Todos os documentos que conteriam tais «provas» são «secretos» ou estão em alguma biblioteca «secreta» de posse de alguma ordem ou fraternidade ainda mais «secreta», inacessível a qualquer mortal, quando não invisível e em planos «superiores».


Custa-me acreditar que exista gente adulta nesses meios, exceto os que recebam salário ou lucram com os valores adquiridos com a venda de produtos personalizados, livros e com as trimestralidades enviadas pelos membros.


O conteúdo das monografias da rosacruz é absurdamente simplista em sua exposição. Até mesmo nos meios esotéricos esses conteúdos são rotulados de «café-com-leite» e são motivo de chacota em ordens iniciáticas mais «sérias». Porém as fábulas contadas como se fossem verdades, são profundamente deformantes da razão e causam extrema alienação, se forem acreditadas.


Destaco abaixo alguns absurdos ensinados como se fossem fatos reais. Em meio aos meus comentários, lançarei diversos desafios e proponho-me calar a esse respeito, caso me seja oferecida alguma prova válida, histórica e verificável sobre as questões levantadas.

"Os arquivos Rosacruzes em terras estrangeiras, abrangendo os registros dos Essênios, Nazarenos e Nazaritas, assim conto os registros completos da Grande Fraternidade Branca no Tibete, na índia e no Egito, sempre foram fontes de conhecimento para o pesquisador sincero da história de todos os Avatares e especialmente de Jesus. Foi dessa fonte fidedigna que foram tirados os fatos contidos nesta obra - não de uma só vez e não sem anos de trabalho e infatigáveis estudos e serviços."


Os tais «arquivos rosacruzes» apenas existem para sustentar qualquer absurdo levantado de forma gratuita, ou seja, esses arquivos são tão secretos que ninguém nunca os viu e nem poderia, pois não existem. Por isso são «secretos» e desafio que sejam mostradas provas nesse sentido que remontem até os Essênios, Nazarenos e Nazaritas.

Logicamente a argumentação será do tipo: «são provas secretas»; e ficamos na mesma: é preciso que se acredite em tudo que for dito ou estiver escrito sem qualquer prova, sem qualquer lógica, simplesmente porque foi afirmado e ponto final, por mais absurdas que estas coisas possam parecer. Além disso, sempre veremos o grande «coringa» das ordens esotéricas em geral, quando se quer calar qualquer questionamento ou suspeita: a «Grande Fraternidade Branca».
Estas linhas, ainda do mesmo excerto, por exemplo:

«os registros completos da Grande Fraternidade Branca no Tibete, na índia e no Egito, sempre foram fontes de conhecimento para o pesquisador sincero da história de todos os Avatares e especialmente de Jesus».

Gostaria muito de saber quais são esses «pesquisadores sinceros» da história de «avatares». E desde quando Jesus Cristo é um «avatar»? É um absurdo atrás do outro. Compreendo perfeitamente que, pelo fato de não se poder provar nenhuma das afirmações que sustentam tais ordens, seja preciso «citar» pesquisadores que não existem, assim como relegar as provas às partes «invisíveis» de tais organizações. Se forem invisíveis ou secretas, não há como conferir tais provas, muito menos conhecer os tais pesquisadores sérios, os quais, obviamente, devem ser todos «ilustres» e «poderosos» rosacruzes.


E ainda, do mesmo excerto:

«Foi dessa fonte fidedigna que foram tirados os fatos contidos nesta obra»

Um minuto, cara pálida! Qual fonte «fidedigna»? Quais fatos foram mostrados na referida obra?

Afirmações como essas, tão claramente falsas e descaradas, não podem ter sido feitas por pessoas que possuam algum vestígio de honestidade intelectual. Essa ânsia constante de insinuar provas e inventar referências obscuras ou secretas em lugares distantes ou escondidos só faz evidenciar que as mesmas não existem de fato, tanto é que em nenhum momento são indicados documentos legitimados por historiadores ou pesquisadores abalizados e reconhecidos. O fato é: não existe fonte alguma fidedigna. Tanto é que nenhuma foi apresentada, além da afirmação gratuita e empurrada goela abaixo dos leitores.

Pelo contrário, cito o exemplo do historiador Robert Vanloo, maior especialista atual em história da rosacruz, que lançou alguns dos livros sobre o tema, dentre os quais L’utopie Rose-Croix Du XVII e Siecle a Nos Jours, e que refuta todas as alegações de Spencer Lewis sobre a fundação de sua organização; inclusive denunciando fraudes e falsificações de fotografias utilizadas como «provas» de contato com os rosacruzes franceses, os quais escorraçaram Spencer Lewis, negando qualquer possibilidade de vínculo com a sua organização. O site está em inglês e contém muito material.

É extremamente aconselhável que seja lido em sua totalidade, abrindo todos os links do texto e das notas, além de acessar os links para as imagens disponibilizadas site, para que se possa ter uma idéia mais completa e próxima da verdade a respeito de Spencer Lewis.


Em breve retornarei a este tema, comentando outros excertos desta e de outras obras fabulosas da rosacruz. Por enquanto, deixo este pequeno comentário e a fonte para aprofundamento. No caso da fonte que ofereci pode-se verificar que é uma referência no assunto, fonte abalizada, não secreta, que existe de fato, visível, tem nome e endereço, bastando clicar nos links para comprovar.

Enquanto isso eu aguardo a visita de algum membro da «Grande Fraternidade Branca» com seus arquivos do Tibet, Egito e Índia provando o contrário.


Acabei de me sentar…



[1] VIDA MÍSTICA DE JESUS, por H. SPENCER LEWIS, 1929. Biblioteca da ordem rosacruz, AMORC.


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quarta-feira, agosto 16, 2017

O Pais da Igreja acreditavam em reencarnação?



Os espíritas e espiritualistas enganam-se e mentem descaradamente. Aumentam, inventam, recebem mensagens de "espíritos" confirmando suas doidices e vivem assim, no erro. Vejamos algumas de suas ideias devidamente refutadas. Não lembro quem escreveu as refutações.

Vejamos uma citação de Dorothée Koechlin de Bizemont, escritora e jornalista, francesa:

"Entre os cristãos, durante os cinco primeiros séculos, nunca se pensou que a reencarnação pudesse ser contrária aos ensinamentos do Cristo. Os Patronos da Igreja — dos quais alguns foram bela e devidamente canonizados! — quase todos admitem a reencarnação."

Afirmação falsa. Só quem não conhece os escritos dos Santos Padres, dos cristãos primitivos, pode afirmar um absurdo desses.

Vamos checar as afirmações sobre São Jerônimo, Santo Agostinho, Clemente de Alexandria, São Justino e São Gregório de Nissa:

Os espíritas dizem que São Jerônimo afirmou a necessidade das vidas sucessivas.

Vamos a uma frase de São Jerônimo:

«João é chamado Elias  não segundo a men­talidade de tolos filósofos e de alguns hereges, que introduzem a dou­trina da metempsicose, mas pelo fato de ter ele vindo cheio da fôrça e do zelo de Elias, como atesta outra passagem do Evangelho» (cf. Lc 1,17).

O espíritas dizem que Santo Agostinho escreve: “Não vivi eu num outro corpo antes de entrar no seio de minha mãe?

Eu gostaria de saber de onde  este autor tirou esta citação. Eu tenho o livro “As Confissões”. E nele a citação é esta aqui:

“Minha infância morreu há muito tempo, mas eu continuo vivo. Mas, dize-me, Senhor, tu que sempre vives, e em quem nada falece – porque existias antes do começo dos séculos, e antes de tudo o que há de anterior, e és Deus e Senhor de todas as coisas; e esse encontram em ti as causas de tudo o que é instável, e em ti permanecem os princípios imutáveis de tudo o que se transforma, e vivem as razões eternas de tudo o que é transitório – dize-me a mim, eu to suplico, ó meu Deus, diz-me, misericordioso, a mim que sou miserável, dize-me: porventura a minha infância sucedeu a outra idade minha, já morta? Será esta aquela que vivi no ventre de minha mãe? Porque também desta me revelaram algumas coisas, e eu mesmo já vi mulheres grávidas”.

(Santo Agostinho. As Confissões. Livro Primeiro. pg. 04.)

Ele pergunta se viveu outra idade e se esta idade seria a que ele viveu no ventre da mãe dele. Poderia também querer saber de onde teria vindo, ele estava se perguntando, não estava afirmando nada. Nada disso tem a ver com reencarnação. Querm escreveu aquele trecho traduziu mal, se enganou ou mudou a frase para dar a ela outro sentido.

Mais uma citação de Santo Agostinho, desta vez extraída do livro “A Cidade de Deus”:

«Se julgamos ser indigno corrigir o pensamento de Platão, por que então Porfirio modificou a sua doutrina em mais de um ponto, e em pontos que não são de pequenas conseqüências? É certíssimo que Platão ensinou que as almas dos homens retornam até mesmo para animar corpos de animais. Esta opinião foi também adotada por Plotino, mestre de Porfirio. Mas não lhe agradou, e com muita razão. É verdade que Porfirio admitiu que as almas entram em sempre novos corpos: ele, de um lado, sentia vergonha em admitir que sua mãe pudesse algum dia carregar às costas o filho, se lhe acontecesse reen­carnar-se no corpo de uma mula; mas, de outro lado, não tinha ver­gonha em acreditar que a mãe pudesse transformar-se numa jovem e desposar o seu próprio filho! Oh, quanto mais nobre é a fé que os san­tos e verazes anjos ensinaram, fé que os Profetas dirigidos pelo Espí­rito de Deus anunciaram, ... fé que os Apóstolos apregoaram por todo o orbe! Quanto mais nobre é crer que as almas voltam uma só vez aos seus próprios corpos (no momento da ressurreição final) do que admi­tir que elas tomem tantas vezes sempre novos corpos!» (De civitate Dei X 30).

Defender que Santo Agostinho foi reencarnacionista só mesmo quem não leu a obra do Santo.
  
Dizem os reencarnacionistas que Clemente de Alexandria declara que a reencarnação (ou metempsicose) é uma verdade transmitida pela Tradição e autorizada por São Paulo.

Vejamos uma citação de Clemente de Alexandria:

Pois os sacrifícios da Lei expressam figurativamente a piedade que praticamos, como a rola e o pombo oferecidos em troca de pecados assinalam que a limpeza da parte irracional da alma é aceitável a Deus. Mas se qualquer um dos justos não oprime sua alma em comer carne, ele tem a vantagem de um motivo racional, não como o sonho de Pitágoras e seus seguidores da transmigração da alma.

(Clemente de Alexandria, Stromateis [Miscelâneas], Livro VII, cap. VI.)

Vemos claramente que ele rejeitava tal doutrina.

E nem preciso dizer que quem sustenta que Clemente foi reencarnacionista e gnóstico não conhece a obra deste. Clemente combateu idéias de pré-existencialistas e sustentava que a salvação se dá pela graça, através do arrependimento “puro e sincero”. Há algo mais anti-reencarnacionista que isso?

Reencarnacionistas dizem que São Gregório de Nissa (340-400, mais ou menos) dirá que “a alma imortal deve ser curada e purificada; e que, se não o foi por sua vida terrestre, a cura se faz pelas sucessivas vidas futuras”.

Vamos agora ler o que escreveu São Gregório de Nissa sobre a crença nas existências sucessivas:

Aqueles que advogam a referida doutrina e asseveram que o estado de almas é anterior a esta vida na carne, não me parecem serem limpos das doutrinas fabulosas dos pagãos que sustentam aspecto da sucessiva incorporação: pois alguém tiver de procurar cuidadosamente, descobrirá que a doutrina deles é necessariamente resumida a isto. Contam-nos que em um de seus doutos disse que, sendo uma e a mesma pessoa, nasceu como homem, e depois assumiu a forma de uma mulher, e voou com os pássaros, e brotou como um arbusto, e obteve a vida de um ser aquático. E ele que disse essas coisas de si mesmo, até onde podemos julgar, não foi muito longe da verdade: por tais doutrinas como esta, dizendo que alma passou através de diversas mudanças, são realmente adequadas para o matraquear das rãs e gralhas, a estupidez dos peixes ou insensibilidade das árvores”

Sobre a Criação do Homem - XXVIII

Aos que dizem que a alma existiu antes dos corpos ou que os corpos foram formados antes das almas; e daí também uma refutação para as fábulas acerca da transmigração da alma.”

Como é que pode ser rencarnacionista quem condena esta idéia em suas obras? Não sei de onde ela tirou aquela citação, mas pode ser um caso parecido com o de Orígenes ou simplesmente um hoax. Ainda não pude investigar isso.
  
Reencarnacionistas dizem que São Justino (t 165) não só fala “das almas que habitam mais de uma vez um corpo humano”, como também ensina que “aquelas que se tornaram indignas de ver Deus em conseqüência de seus atos durante encarnações terrestres, retomam corpos de bichos inferiores!

Vejamos agora um trecho do livro de São Justino, “Diálogos com Trifão”, cap IV:

(...)Responda-me, porém, a isto: a alma vê [Deus] enquanto no corpo, ou depois de ter sido retirada dele?"

"Enquanto na forma de um homem, é possível para ela", continuei, "alcançar isto por meio da mente; mas especialmente quando ela foi posta livre do corpo e estando livre por si mesma, ganha posse do que estava habituada a amar contínua e plenamente."

" Ela lembra disto [a visão de Deus], então, quando está novamente no homem?"

"Parece-me que não", disse eu.

"Qual a vantagem, então, de eles terem visto[Deus]? Ou tem o homem que viu mais do que aquele que não viu, a menos que ele se lembre do fato que viu?"

"Não sei dizer", respondi.

"E o que sofrem aqueles que são considerados indignos deste espetáculo?", disse ele?

"Eles são aprisionados no corpo de certos animais selvagens e esta é a punição deles."

"Sabem ele, então, que é por esta razão que eles se encontram em tais formas e que eles cometeram algum pecado?"

"Acho que não"

"Então este não colhem nenhuma vantagem de sua punição, ao que parece: além disso, eu diria que eles não estão sendo punidos a menos que tenham consciência do castigo."

"De fato, não"

"Portanto as almas nem vêem Deus, nem transmigram de um corpo para outro, visto que elas saberiam porque estão sendo punidas e teriam depois medo de cometer mesmo o mais trivial pecado. Mas que elas percebem que Deus existe e que justiça e piedade são honrosas, eu também concordo contigo", disse ele.

"Tens razão", repliquei.

(Justino, o Mártir, "Diálogos com Trifão", cap IV).

Aí que está, nos "Diálogos...", Justino narra a história (em primeira pessoa) de sua conversão. Ao fazer aquela citação, Gregor e "near death" (e, por tabela, J.R. Chaves) pegam palavras de quando Justino ainda era pagão e, portanto, crente em algum tipo de reencarnação. 

Você pode até achar os argumentos de Trifão fracos, visto que segundo o espiritismo certo inatismo persiste, mas não é o caso aqui: houve um caso que anglófonos chamariam de misquotation: textos fora de contextos. Este autor também é citado por Severino Celestino da Silva como alguém tido por defensor de “maneira limitada” da transmigração das almas (“Analisando... “, cap. XVII)

Link para os Diálogos com Trifão:

[http://www.earlychristianwritings.com/text/justinmartyr-dialoguetrypho.html]