terça-feira, junho 20, 2017

Comentários Eleison: Fátima Crucial - I

Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DXVIII (518) (17 de junho de 2017)


Fátima Crucial - I

O mundo está fora dos eixos – ó ódio maldito?
Obedeça a Mãe de Deus. E então a escuridão há de tornar-se luz.

Ainda há católicos que não conseguem entender a importância das Aparições e Mensagens de Nossa Senhora para os três pastorinhos em Fátima, Portugal, em 1917, juntamente com as sucessivas aparições e as mensagens dadas a uma delas, a Irmã Lúcia, durante os anos que se seguiram. Já a própria Igreja em Portugal em 1931 deu sua aprovação oficial à intervenção de Nossa Senhora, e nessas Mensagens é a própria Nossa Senhora quem dá a elas sua grande importância. Aqui está o texto da segunda parte do Segredo de Fátima, que cai diretamente sob a aprovação oficial da Igreja. É bem conhecido por muitos católicos, mas todos os homens vivos precisam entender sua importância, como se destaca nas palavras em negrito:

Para salvá-los [os pobres pecadores que estão no caminho do inferno], Deus deseja estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. Se o que eu vos digo for feito, muitas almas se salvarão e haverá paz. A guerra vai acabar. Mas se as pessoas não cessarem de ofender a Deus, uma guerra pior acontecerá durante o reinado de Pio XI. Quando virdes uma noite iluminada por uma luz desconhecida, sabeis que este é o grande sinal dado por Deus de que Ele está prestes a castigar o mundo por seus crimes por meio da guerra, da fome e das perseguições contra a Igreja e contra o Santo Padre. Para evitar tudo isso, venho pedir a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração e a Comunhão de Reparação nos Primeiros Sábados. Se os meus pedidos forem atendidos, a Rússia será convertida e haverá paz; Se não, ela espalhará seus erros por todo o mundo, causando guerras e perseguições contra a Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. . . . . . . . . No final, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrará a Rússia a mim, e ela se converterá, e um período de paz será concedido ao mundo.

Nossa Senhora estava falando aqui em 1917. "A guerra" mencionada na linha 3 foi a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), e "a guerra pior" foi a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o que não aconteceria se todos os católicos no mundo, começando pelo Papa, ouvissem Nossa Senhora de Fátima. "Para evitar tudo isso", como prometeu em 1917, ela veio novamente à Irmã Lúcia em 1929 para pedir a Consagração da Rússia. Ainda assim os católicos em geral e os homens da Igreja em particular deram-lhe pouca atenção. Como resultado, a "luz desconhecida" profetizada em 1917 por Nossa Senhora, citada a partir da linha 4 do parágrafo anterior, ocorreu como um extraordinário brilho vermelho no céu de toda a Europa na noite de 25 de janeiro de 1938, e em setembro de 1939 explodiu totalmente a Segunda Guerra Mundial, com seus 66 milhões de mortos.

Então, Fátima não era importante? Quando poderia ter nos salvado da Segunda Guerra Mundial? Mas ainda mais importante foi como Fátima poderia ter nos salvado do Concílio Vaticano II (1962-1965), e ainda poderia, em 2017, salvar-nos das consequências devastadoras desse Concílio se apenas um número suficiente de católicos despertasse e fizesse o que Nossa Senhora pediu.

Nos pontos da citação acima entre "aniquiladas" e "no final" foi enquadrado no segredo original o que veio a ser conhecido como o "Terceiro Segredo" de Fátima, na verdade a terceira parte de um Segredo único. Nossa Senhora disse que este texto deveria ser revelado no mais tardar em 1960, se a Irmã Lúcia não morresse antes disso. Mas ainda não foi publicado, quase certamente porque contém a condenação do Céu à essência do então próximo Concílio. Assim, os homens da Igreja cegos, colocados em seu projeto favorito, ousaram proclamar que Nossa Senhora tinha dito que a partir de 1960 ele poderia ser publicado: uma mentira perversa. Assim, Fátima poderia ter salvado da impiedade do homem do século XX não só o mundo, mas também a Igreja, se apenas os homens da Igreja tivessem ouvido. Fátima continua sem importância?

Caros leitores, rezem o Santo Rosário e pratiquem a Devoção dos Primeiros Sábados, como pediu Nossa Senhora de Fátima. É quando um número suficiente de nós a escutar que a Igreja e o mundo começarão a mudar.


Kyrie eleison.

quarta-feira, junho 14, 2017

Jesus: mentiroso, louco ou Deus – o Trilema



"DESDE SEMPRE OS cristãos confessaram que Jesus Cristo é o Filho de Deus e Deus. São João escreveu que a Palavra (Verbo), que "estava junto de Deus", "era Deus (...) fez-se carne e habitou entre nós" (Jo 1, 1.14). São numerosos os discursos do próprio Cristo em que Ele deixa claro ser mais que um simples ser humano comum. Ainda assim, muitos insistem em vê-lo como apenas mais um grande sábio ou líder espiritual que passou por este mundo..."

Leia o restante, aqui.

terça-feira, junho 13, 2017

Sua religião, ou filosofia, não possui dogmas?



Uma definição simples de “dogma“:

1.teol ponto fundamental de uma doutrina religiosa, apresentado como certo e indiscutível.
2.p.ext. qualquer doutrina (filosófica, política etc.) de caráter indiscutível.

Hoje vemos pessoas que não são católicas gabando-se de pertencerem a religiões ou filosofias não dogmáticas. Ora, se tomarmos a definição de dogma como colocada acima, ou seja, um ponto indiscutível, então veremos rapidamente que eles se enganam, pois suas filosofias e doutrinas possuem sim pontos que não se discutem, logo, possuem dogmas.

Se sua religião, filosofia ou doutrina possui pontos indiscutíveis, então ela é dogmática.

Na Wicca e no Espiritualismo moderno acredita-se na Lei do Retorno. Isso não se discute. É um dogma, quer chamem assim ou não.

No Espiritismo de Kardec* acredita-se em reencarnação e isso não se discute. Acredita-se na comunicação com os mortos, e é também indiscutível.

Há vários outros exemplos, mas estes já bastam para ilustrar o que afirmo.

O Leonardo, nos tempos de Orkut disse algo muito bom e verdadeiro:

"O espiritismo é dogmático não no sentido das crenças religiosas tradicionais, mas sim no sentido de ser um corpo doutrinário que, a despeito de falar sobre temas como Deus, a natureza do universo, da alma, etc, não consegue resistir ao mínimo de comparação dialética. Ao contrário do cristianismo, judaísmo, e até mesmo do islamismo (até certa época), apresenta suas "fórmulas" doutrinárias sob uma roupagem racional, mas não consegue demonstrar, apoditicamente, nenhuma de suas afirmações. E, quando confrontado, sempre se sai com alguma falácia argumentativa do gênero. Ou o espiritismo se propõe à seriedade do debate racional, ou então, é apenas uma crença do tipo ideológica, semi-religiosa, sem o lastro que, ao menos, nutre todas as outras religiões, logo, completamente fechada, ou seja, dogmática." 

Então, dogma, como na definição acima, existe em outros credos.

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*Sim, este não é o único espiritismo. Na Revista Espírita de 1869, Kardec se refere ao espiritismo americano e europeu, ou seja, ele reconhecia que havia diferenças entre o que se professava num lugar e outro, não havendo unidade. O Espiritismo de Kardec, o chamado Kardecismo, é um conjunto específico ditado e organizado por ele. Por exemplo, na Inglaterra os espíritas não aceitavam reencarnação, já os "kardecistas" não discutem este assunto, é dado como certo, logo, um dogma espírita (de Kardec, claro).


segunda-feira, junho 12, 2017

Comentários Eleison: Hipocrisia Refinada

Comentários Eleison – por Dom Williamson
Número DXVII (517) (10 de junho de 2017)

HIPOCRISIA REFINADA


Rótulos enganam. A verdade é dita pelos frutos.
Francisco arranca as próprias raízes da Igreja.

Vamos assumir, então, com o primeiro artigo aqui do Padre Gleize publicado há seis semanas (EC 511), que não é certo que um Papa não possa cair em heresia. Para salvar almas desde Lutero até os dias de hoje, Deus pode ter dado graças especiais às autoridades de Sua Igreja da decadente Quinta Idade para resistir a essa decadência, mas essa Idade chegou praticamente ao fim com o Vaticano II. Os Papas conciliares têm sido a morte da Igreja. Mas são eles hereges formais? O interesse no segundo artigo do padre Gleize está onde ele destaca como esses Papas conseguiram ir matando a Igreja subvertendo a doutrina católica enquanto parecem permanecer católicos. Qual é a técnica deles? O Padre Gleize examina o caso dos cinco "dubia", ou pontos duvidosos, levantados pelos quatro Cardeais contra o texto do Papa Francisco Amoris Laetitia (AL): esses pontos fazem dele um negador consciente e voluntário da doutrina definida da Igreja? Aparentemente não, diz o Padre Gleize, mas, com efeito, sim.

Aparentemente não, porque em cada um dos cinco pontos o Papa Francisco não nega diretamente a doutrina da Igreja, antes ele a deixa ambígua, ou a deixa de fora. O primeiro dos cinco pontos é um exemplo de ambiguidade: o Papa não diz: "Divorciados podem receber Comunhão", mas "em certos casos os divorciados podem receber Comunhão". Aqui o "em certos casos" está aberto a uma interpretação ampla ou estreita. É ambíguo, e essa ambiguidade é capaz de minar a Lei da Igreja, porque há muitos divorciados e muitos sacerdotes e prelados que ficarão felizes em adotar a interpretação ampla.

Nos quatro pontos restantes, o Papa mina a doutrina católica não por negação, mas por omissão. Por exemplo (quarto ponto), ele não diz: "Não existe tal coisa como um ato objetivamente pecaminoso", porque a Igreja sempre designou uma série de atos objetivamente pecaminosos, começando pelos Dez Mandamentos de Deus. Em vez disso, o Papa diz: "A pecaminosidade objetiva não significa necessariamente culpabilidade subjetiva". Ora, é claro que a Igreja nunca negou que possa haver circunstâncias para este ou aquele ato que tiram sua culpa, mas colocar a desculpa subjetiva em primeiro plano é colocar o pecado objetivo em segundo plano. Os pecadores vão adorar! No entanto, a Igreja Católica sempre classificou a natureza objetiva e a correção ou incorreção moral dos atos acima da culpabilidade subjetiva desta ou daquela pessoa que comete o ato. "A exceção faz a regra", diz um provérbio, e outro, "Os casos difíceis fazem uma lei ruim". Pelo contrário, o subjetivismo do Papa Francisco mina a lei da Igreja (e o senso comum) com casos difíceis, mesmo quando ele evita contrariar diretamente a lei da Igreja. O Padre Gleize conclui que as cinco dúvidas dos quatro cardeais estão totalmente justificadas.

No entanto, o Papa está cobrindo seus rastros ao não fazer declarações dogmáticas ou antidogmáticas. Ele mesmo escreve na AL que seu propósito é "colecionar contribuições dos dois Sínodos sobre a família, juntamente com outras considerações capazes de orientar o pensamento, o diálogo ou a prática pastoral". Este manifestamente não é um propósito dogmático. Por conseguinte, é difícil colocar no Papa Francisco o rótulo de "herege formal". Mas, assim como o Vaticano II manifestou ser apenas um Concílio "pastoral", isto é, não doutrinal, e, no entanto, fez voar pelos ares a doutrina católica e a Igreja , assim o Papa Francisco está na AL não manifestando que ele está ensinando doutrina, e ainda assim ele está mandando pelos ares a moral católica e a família. É o clássico meio comunista e neomodernista de subversão, em que se usa aspectos práticos para minar a verdade, não em princípio, mas na prática. Comparem Roma com Dom Fellay: "Obtenham reconhecimento prático primeiro, depois falamos sobre doutrina". Comparem Dom Fellay com a FSSPX: "Não estamos mudando a doutrina", enquanto ele mesmo praticamente não exala mais uma palavra de crítica sobre a destruição da Igreja pelo Papa Francisco. Teria Dom Lefebvre mantido o silêncio? Fazer a pergunta é respondê-la.

O Padre Gleize conclui que o Papa Francisco pode não ser um "herege formal", mas ele está certamente "favorecendo a heresia". "O herege formal" deveria ser o pior dos dois rótulos, mas não neste fim incorreto da Quinta Idade da Igreja, quando a hipocrisia dos inimigos da Igreja é mais refinada que nunca. Que o céu nos ajude mais do que nunca! Rezem os Quinze Mistérios do Rosário todos os dias!


Kyrie eleison.

quarta-feira, junho 07, 2017

“Os Filhos da Viúva” – Demolindo as Pilastras do Perenialismo - parte II



Depois de aqui ter publicado uma resenha de Jean Vaquié sobre a primeira edição do livro “Os Filhos da Viúva – Ensaio sobre o Simbolismo Maçônico”, venho complementar essa publicação com a tradução do comentário de Ivan Kraljic sobre a segunda edição da mesma obra, lançada dessa vez com o subtítulo alterado: “Os Filhos da Viúva – Pesquisas Sobre o Exoterismo Maçônico”
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Insisto mais uma vez: a Tradição Primordial tem sido louvada pelos perenialistas e a Tradição da Igreja Católica tem sido apresentada por eles como inserida nesse saber primordial que remonta às origens da humanidade. É um embuste! A Tradição Católica ensinada pela Igreja Católica e a Tradição Primordial ensinada pela Escola Perenialista, também chamada de Escola Tradicionalista ou Filosofia Perene, são INCOMPATÍVEIS. Conforme a expressão francesa, elas são coisas que “hurlent de se trouver ensemble”. Confira o leitor a seguir.
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“Os Filhos da Viúva” 
Por Ivan Kraljic 
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O livro de Jean-Claude Lozac'hmeur, “Fils de la Veuve” (Os Filhos da Viúva – Pesquisas sobre o Exoterismo Maçônico”, 2º. Edição, 2002), tira a máscara atrás da qual se esconde a seita maçônica. Lozac'hmeur é um especialista em mitos, professor emérito da Universidade de Rennes II. “Os Filhos da Viúva – Ensaio sobre o simbolismo maçônico” (1º. Edição) está na segunda edição, revista e completa, de uma obra com o mesmo título lançada em 1990. Lozac'hmeur é também autor (com Bernaz de Karer) de “De la Révolution” (Éditions Sainte-Jeanne d'Arc, 1992), onde ele analisa o objetivo e a estratégia da Revolução.
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Em “Os Filhos da Viúva”, comparando as crenças e ritos maçônicos com as antigas religiões ou mitos pagãos, Lozac'hmeur responde às questões fundamentais: De onde vêm os rituais grotescos da iniciação maçônica? Quem é a viúva da qual os maçons se pretendem filhos? Quem é o arquiteto, a quem os maçons querem vingar? Sabemos qual é o objetivo da seita maçônica e a obra por ela realizada dá testemunho disso. No plano temporal não há mais países católicos; no plano espiritual, a crise da Igreja, com estragos incalculáveis, prossegue sem cessar. Partindo do zero, a seita maçônica empreendeu e realizou tudo, metodicamente, pacientemente, incansavelmente. Todos os obstáculos foram derrubados, as monarquias católicas, o poder temporal da Igreja, a própria Roma finalmente sucumbiram sob a infiltração maçônica. Três séculos de atividade maçônica deixaram o mundo em ruínas. Com certeza tal obra de destruição não é humana.
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A franco-maçonaria, tal como existe hoje, apareceu recentemente, ela começou a se organizar e crescer no início do século XVIII. Seus rituais e crenças aparecem também como novidades aos olhos profanos. Mas Lozac'hmeur demonstra que não é bem assim. Sua análise de 53 mitos provenientes de todas as civilizações e de todos os países (a busca do Graal, Jason e os Argonautas, Osíris, Prometeu, Krishna, estão entre os mitos mais conhecidos) revela a existência de um núcleo comum universal: a história do filho da viúva que deve vingar seu pai, após descobrir sua própria identidade e a do assassino de seu pai. A ligação com a maçonaria é evidente. Entretanto, Lozac'hmeur não se limita a isso, mas decifra esses mitos e símbolos para descobrir o seu sentido oculto: é uma religião dualista coerente, opondo “um Deus civilizador” (o pai assassinado), amigo dos homens, a um “Deus mau” (o assassino), seu inimigo. Este último, para punir os homens por se terem apropriado do Conhecimento (a Viúva), provoca o Dilúvio e se volta contra seu rival, culpado de tê-la transmitido aos humanos (Prefácio, p. 12). Os filhos da Viúva – os iniciados nessa religião – trabalham a fim de destronar o “Deus mau” e de instaurar o culto do “Deus bom”.

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Quanto à identidade dos dois "Deuses", ela é transparente. O "Deus bom" é Satanás, o "Deus mau" é o verdadeiro Deus, a Santíssima Trindade. Satanás transmitiu aos homens a ciência do bem e do mal, e Deus, que puniu os homens culpados, também castigou Satanás. Os filhos da viúva, os iniciados, portanto, trabalham para vingar Satanás contra o bom Deus.
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O fato essencial, demonstrado pelo estudo de Lozach'hmeur, é que a maçonaria, intrinsicamente e desde o seu início, é a religião de Satã. Essa falsa religião, que pretende ser a verdadeira, está presente em todos os tempos e todos os países. Desde a origem do homem, com efeito, se transmite secretamente a história da queda de Adão e Eva e de sua expulsão do paraíso terrestre. Essa história é ocultada sob a forma de mitos e de símbolos, e somente a iniciação ritual permite obter a sua interpretação. Ela é, sobretudo, falseada, deformada, porque Deus é apresentado como inimigo dos homens, e Satanás como o amigo que lhes trouxe o conhecimento. Essa contra-tradição se confronta com a verdadeira tradição, a dos adoradores do Deus vivo. “Tudo se passa como se a humanidade primitiva se tivesse dividido em dois campos, tomando cada um o partido de seu Deus” (p. 137).
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Se a religião de Satã é única, sua “Igreja” tomou vários fisionomias, a maçonaria não é senão uma forma recente. Acusar a seita maçônica de todos os males é, pois, uma coisa incompleta: sua responsabilidade é certamente imensa, mas o complô é mais vasto. De outro lado, salvo raras exceções, o culto satânico sempre foi clandestino; ele se ocultou sob os símbolos e os mitos que Lozac'hmeur decifrou. Mesmo nos tempos do paganismo, onde o culto dos ídolos era a religião oficial, a “crença em Lúcifer” (Albert Pike) era secreta.
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A importância do livro de Lozac'hmeur é tal, que um especialista, como Christian Lagrave, afirma que esse livro “conseguiu realizar o que outrora foi a ambição de Mons. Jouin, o fundador da Revista Internacional das Sociedades Secretas” (Ch. Lagrave, posfácio, p. 1 65), isto é, desmascarar cientificamente o complô anticristão. Todos os contrarrevolucionários devem estudar e meditar esse livro, que revela uma parte do mistério da iniquidade. A história é iluminada sob uma nova luz, quando se considera a existência oculta da religião dos adoradores do diabo.
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Mais além das aparências, o verdadeiro significado de fenômenos recentes, como a globalização e a formação da União Europeia, é revelado à luz da atividade satânica: “Os maçons deliberadamente preparam o reinado do Anticristo. A consequência necessária, ou talvez o pré-requisito desse reinado, é o estabelecimento de um Estado mundial” (Ch. Lagrave, posfácio, p. 173). Além disso, a atividade anticristã da maçonaria não é simplesmente um desvio devido a algumas lojas ateias. Mr. Lozac'hmeur mostra que toda a maçonaria é satânica, porque todos os maçons são filhos da viúva e todas as lojas baseiam seus rituais sobre o mito de Hiram / Satanás e seus corolários.
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Hoje, pode parecer surpreendente ver a seita maçônica em declínio. Desde alguns anos o seu caráter secreto tem sido publicamente denunciado na Grã-Bretanha. Na França, as lojas desabam sob seus próprios malfeitos financeiros e processos judiciais. No Canadá francofônico faltam candidatos à iniciação. É difícil saber o motivo, mas é possível que a seita, tendo concluído o seu papel, não seja mais útil. Abandonada por Satanás como uma ferramenta supérflua, ela perdeu o seu poder e tornou-se o joguete de ambições humanas. É talvez o que aconteceu com a União Soviética: cumprida a sua tarefa (espalhar os erros socialistas), não tem mais razão de ser. Agora seria preciso passar para uma nova etapa dialética, criar uma nova antítese que se oponha à tese em vigor. É assim que avança a Revolução, a golpes de “tese – antítese – síntese”. Ignorar esta tática é correr o risco de estar desatualizado para o combate.
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Porque um novo golpe se prepara, uma nova etapa deve ser percorrida. A maçonaria preparou bem o terreno para a fase final. É necessário que as nações desapareçam, que a unidade primitiva da humanidade seja refeita, que o Anticristo seja adorado em todo o mundo. Sem dúvida, um grande desastre, uma nova guerra mundial, permitirá atravessar essa etapa. O Islã – velho inimigo do nome cristão, contra o qual, graças à Santíssima Virgem, tinham triunfado heróis como São Pio V, João Sobieski, São João Capistrano, Dom João D’Áustria –, será ele a nova antítese? Uma segunda vida está sendo nele infundida, e depois de o Ocidente importar massivamente muçulmanos, tratam agora de provocá-lo e de criar o ódio entre os povos. É, aliás, o plano das seitas – uma terceira guerra mundial provocada por um conflito entre judeus e muçulmanos – de acordo com o maçom satanista Albert Pike (carta a Mazzini, 1871).

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Como acontece habitualmente com o demônio, a maquinação é perfeita e "nada, aos olhos humanos, seria capaz de impedir a realização do Plano" (Jean-Claude Lozac'hmeur, “Da Revolução”, p. 169). Mas nada é impossível para Deus, e se os católicos, ainda que sendo um punhado, empregassem a mesma energia e a mesma perseverança como a dos adoradores do diabo, estes seriam desbaratados e seus projetos reduzidos a nada.
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Jean-Claude Lozac'hmeur : Fils de la veuve - Recherches sur l'ésotérisme maçonnique
Nouvelle édition revue et complétée - Éditions de Chiré, 2002, 288 p.

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