quinta-feira, março 23, 2017

Chesterton lança seu encantamento sobre Tolkien

Tradução do artigo Chesterton Casts a Spell on Tolkien, escrito por Joseph Pearce.

Traduzido por Ageu Marinho
O grande G. K. Chesterton teve um impacto formidável em mim para que abraçasse a doutrina Cristã. Não seria, de fato, exagero algum dizer que ele foi a maior influência individual, abaixo da graça, na minha conversão. Assim, fiquei extremamente grato por descobrir, durante as pesquisas para o meu livro Literary Converts [nota do tradutor: algo como Os Convertidos pela Literatura], que Chesterton também fora uma influência significativa nas conversões de muitos outros, incluindo escritores como Maurice Baring, Ronald Knox, e Graham Greene, bem como o ator Sir Alec Guinness.
Ele também foi uma influência marcante sobre C. S. Lewis, que havia descoberto Chesterton durante a Primeira Guerra Mundial, enquanto se recuperava num hospital de campanha, na França. Pouco depois foi a obra seminal de Chesterton, O Homem Eterno, que permitiu a Lewis enxergar o panorama de história Cristã que estava colocado diante dele de uma forma que fizesse sentido, uma epifania que foi um marco significativo na jornada de Lewis para a conversão Cristã. Foi, todavia, aquela famosa “longa conversa noturna” entre Lewis, J. R. R. Tolkien e Hugo Dyson em setembro de 1931 que se provou decisiva para a aceitação do Cristianismo por parte de Lewis. O tópico daquela “conversa noturna” foi o que eu chamo de “ a filosofia do mito de Tolkien”, uma compreensão da inestimável verdade a ser descoberta nos mitos e contos de fadas. Foi essa filosofia subjacente que daria forma ao trabalhos de Lewis e Tolkien nos anos que se seguiriam, e desse modo abençoaram a civilização com jóias literárias, tais quais O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Narnia. Embora essa “conversa noturna” seja merecidamente celebrada por ter semeado as sementes de tão belos frutos literários, não é tão amplamente sabido que a “filosofia do mito de Tolkien” é ela mesma um fruto das sementes plantadas por Chesterton na sua obra Ortodoxia, publicada em 1908, quando Tokien tinha dezesseis anos de idade.
Quando jovem, Tolkien foi um ávido leitor de Chesterton. Ele deve ter conhecido bem a obra Ortodoxia. Não é de surpreender, portanto, que muitas das convicções próprias de Tolkien a respeito da filosofia do mito, segundo foram delineadas em sua importante preleção publicada On Fairy Stories [N. do T.: Sobre Contos de Fadas, ensaio contido no livro Árvore e Folha], são encontradas no capítulo da Ortodoxia intitulado The Ethics of Elfland [N. do T.: livremente traduzido neste texto como A Ética no País das Fadas]. Pegue, por exemplo, a asserção de Tolkien na sua preleção, de que os contos de fadas “estavam evidentemente envolvidos em primeiro lugar não com a possibilidade, mas com a qualidade de ser desejável,” e a compare com estas linhas de A Ética no País das Fadas:
As coisas em que eu mais acreditei então [quando ele era uma criança], as coisas em que eu mais acredito agora, são aquelas coisas chamadas contos de fadas. Elas parecem-me coisas completamente razoáveis. […] O país das fadas não é nada além do que o território ensolarado do senso comum. Não é a terra que julga o céu, mas o céu que julga a terra; então ao menos para mim não era a terra que criticava o país das fadas, mas o país das fadas que criticava a terra.
A asserção de Tolkien de que os mitos ou contos de fadas estão principalmente interessados em ser desejáveis encaixa-se com a asserção de Chesterton segundo a qual o país das fadas encaixa-se com o céu, no sentido de que o país das fadas é o domínio da retitude moral, o reino da bondade, verdade e beleza, o qual todo bom homem anseia. É o céu (o lugar da perfeição permanente) que julga a terra (o lugar da imperfeição transitória). É o bem que julga o mal (e é bom que ele o faça). É o verdadeiro que julga o falso; é o belo que julga o feio.
Esta verdadeira ordem das coisas, a qual o céu e o país das fadas compartilham, é o modo como as coisas deveriam ser, é o que ajusta os nossos eixos morais, o que põe as coisas de volta ao caminho certo, ou com o lado certo virado pra cima. Se esta nobre ordem das coisas é revertida de forma que o mal presida o julgamento do bem e o falso julgue o verdadeiro, nós estamos na presença do caos que o dragão traz, ou do feitiço maligno da bruxa. Dragões e bruxas adotam muitas formas, no nosso mundo assim como no mundo das fadas. Como Tolkien declara, a verdadeira ordem das coisas encontrada nos contos de fadas é algo para ser desejado, especialmente num mundo como o nosso, que está cheio de dragões e em desesperada necessidade de caçadores de dragões. Esta qualidade de ser desejável que têm os contos de fadas não apenas se encaixa com as coisas do céu que podem ser ditas “dove-winged”, para tomar emprestada uma expressão de Hopkins, à medida que é uma semente de desejo plantada pelo Espírito Santo para nos guiar até Ele. Nesse sentido, aqueles que viram suas costas para os contos de fadas estão virando suas costas para o céu.
Há, não obstante, um sentido no qual aqueles que viram suas costas para os contos de fadas também estão virando suas costas para o próprio mundo no qual vivem porque, como Chesterton insiste, nós não vivemos no melhor de todos os mundos possíveis, mas no melhor de todos os mundos impossíveis. Se tivermos os olhos da humildade, os olhos do espanto, nós perceberemos que estamos vivendo num conto de fadas, e não apenas qualquer um desses velhos conto de fadas, mas no melhor de todos os contos de fadas. Em “A Ética no País das Fadas”, Chesterton procura nos lembrar que “a vida era tão preciosa quanto era surpreendente”: “era um êxtase porque era uma aventura; era uma aventura porque era uma oportunidade.” Não importava se nós nos considerávamos pessimistas ou otimistas. O que importava era que nós estávamos na história da vida e deveríamos ser gratos por isso:
A bondade do conto de fadas não foi afetada pelo fato de que haveriam mais dragões que princesas; era bom estar num conto de fadas. A prova de toda felicidade é gratidão; e me senti grato, embora eu dificilmente soubesse a quem. Crianças são gratas quando o Papai Noel põe nas suas meias brinquedos ou doces de presente. Poderia eu não ser grato ao Papai Noel quando ele coloca nas minhas meias duas pernas milagrosas de presente? Nós agradecemos às pessoas pelos charutos e chinelos de presente de aniversário. Posso não agradecer a ninguém pelo presente de aniversário de ter nascido?
Para reformular a prosa lucidamente bela de Chesterton na linguagem do filósofo e teólogo, podemos dizer que a gratidão é o fruto da humildade e que ela abre os olhos para o admirável presente da maravilha. É somente quando nossos olhos estão abertos desta maneira que podemos verdadeiramente ver e apreciar o maravilhoso conto de fadas no qual nos encontramos. Esta realidade crucial, que está no coração do verdadeiro realismo a ser encontrado nos contos de fadas, estava enfatizada de maneira igualmente forte por Tolkien na sua aula publicada. Ao discutir o dom do que ele chama “recuperação”, nos contos de fadas, as palavras de Tolkien são um reflexo exato das de Chesterton:
Recuperação (que inclui a devolução e renovação da saúde) é uma reconquista — reconquista de uma visão limpa. Eu não digo “ver as coisas como elas são” juntando-me assim aos filósofos, todavia aventuro-se a dizer “ver as coisas da forma como nós estamos (ou estávamos) destinados a vê-las” — como coisas separadas de nós mesmos. Precisamos, em qualquer caso, limpar nossas janelas; de forma que as coisas vistas claramente possam estar desembaraçadas do borrão pardo da banalidade ou familiaridade — da possessividade. […] Essa banalidade é na verdade o castigo pela “apropriação”: as coisas que são repetitivas, ou (num mau sentido) familiares, são as coisas que nós temos nos apropriado, legalmente ou mentalmente. Dizemos que as conhecemos. Elas se tornam aquelas coisas que uma vez nos atraíram por seu brilho, ou sua cor, ou formato, e nós lançamos mãos sobre elas, e as trancamos em nossos mealheiros, as adquirimos, e as adquirindo deixamos de olhar para elas.
Essa cegueira singular, que Tolkien satirizaria com grande efeito em seu próprio grande conto de fadas, O Hobbit, apelidando ela de doença do dragão, é a mesma cegueira para as maravilhas da vida sobre a qual Chesterton escreve. Aqueles que não têm a humildade para enxergar com os ohos de espanto não estão apenas cegos para os brinquedos ou doces de presentes, ou charutos e chinelos, mas até mesmo para “a dádiva das duas pernas milagrosas” com as quais eles andam, ou para o maravilhoso “presente de aniversário de ter nascido” com o qual eles têm sido abençoados.
Considerando a congruência entre o senso de gratidão e encanto e a discussão de Tolkien de “recuperar” e a reconquista de uma visão limpa, não deveria ser nenhuma surpresa que Tolkien continue sua própria discussão pagando tributo à “Fantasia Chestertoniana” que “foi usada por Chesterton para denotar a estranheza das coisas que têm se tornado banais, quando elas são repentinamente vistas a partir de um novo ponto de vista.” Há poucas dúvidas de que Chesterton habilitara o jovem Tolkien a enxergar a realidade a partir de um novo e surpreendente ponto de vista quando este lera pela primeira vez Ortodoxia. Sua influência inspiraria o futuro do autor de O Senhor dos Anéis a formular sua própria visão de “A Ética no País das Fadas”, expressada na preleção “Sobre Contos de Fadas” e em suas próprias histórias magníficas. Não há dúvida de que o grande G. K. Chesterton lançou um encantamento sobre o grande J. R. R. Tolkien pelo qual todos os amantes da Terra-média deveriam estar inestimavelmente agradecidos.

Joseph Pearce é um colaborador senior no The Imaginative Conservative. Ele é escritor em casa e diretor do Center for Faith and Culture at Aquinas College in Nashville, Tenessee. Suas obras incluem a recém-publicada biografia de Chesterton: Sabedoria e Inocência: Vida de G. K. Chesterton


www.sociedadechestertonbrasil.org

terça-feira, março 21, 2017

Oscar Wilde morreu católico


A conversão de Oscar Wilde

Depois de uma juventude de homossexualidade e escândalos, o escritor inglês se arrependeu ao fim da vida e morreu recebendo os sacramentos da Igreja.

Por Francesco Agnoli | Tradução: Equipe CNP — No dia 30 de novembro de 1900, morria, em Paris, o escritor Oscar Wilde, autor do famoso romance "O Retrato de Dorian Gray". A sua figura é frequentemente instrumentalizada e mal compreendida, tanto na profundidade de sua obra quanto no drama de sua vida. Por isso, pode ser útil recordar ao menos algumas coisas.
Wilde nasce em Dublin, no atual território da Irlanda, em 16 de outubro de 1854. O seu pai, sir William, é um médico de muito renome, que "muda com mais frequência de amante que de camisa". Sua mãe, Jane, "não é muito dada ao cuidado da casa, nem à educação moral dos filhos" [1].
William e Jane vivem uma relação "aberta", com todas as suas consequências. Quando Oscar nasce, a mãe, "que esperava ardentemente uma menina", fica desiludida e termina projetando sobre o filho homem os seus desejos: o pequeno Oscar é vestido como menina, "enfeitado com laços e rendas", e sofre tanto com as imposições da mãe quanto com a ausência do pai. Muitos biógrafos jogam luz sobre o fato de que Wilde tinha interiorizado uma figura negativa de pai, e isso o impediu de desenvolver plenamente a sua virilidade e o seu senso de paternidade. O escritor vai acabar procurando, em outras figuras masculinas, o pai que nunca teve, além de ser, dentro da própria família, o marido infiel e o pai ausente que ele tanto desprezava em seu pai.
Wilde logo se separa de sua família e vai para a universidade, primeiro ao Trinity College, de Dublin, e depois a Oxford. Em certos aspectos ele vai continuar sendo "uma eterna criança", incapaz de "amadurecer, pelo menos no plano afetivo".
Seu pai não é para ele objeto de admiração. De fato, Oscar não aprova "a libertinagem desenfreada do pai e não exclui que, justamente como reação aos excessos paternos, ele tenha concebido desde a adolescência uma espécie de relutância a estabelecer relações de compromisso com as mulheres". Ele se casará, amará a sua mulher, mas, assim como o seu pai, jamais conseguirá fazê-lo verdadeiramente, alternando os remorsos e o desejo de reatar o casamento com a insegurança e a instabilidade de suas múltiplas e fugazes relações com mulheres, homens e adolescentes. O vértice de sua depravação – como ele mesmo dirá – levará o escritor, depois do sucesso, à prisão, bem como a uma saúde frágil, graças ao uso prolongado de álcool... até o fim dos seus dias.
Encarcerado em 1895, depois de ser acusado de relações homossexuais com vários adolescentes e prostitutos, Wilde escreve da prisão à sua mulher, Constance: "Perdoa-me... os meus pecados têm sido tremendos e imperdoáveis". Wilde sente vergonha da sua vida passada, anela por sua regeneração, por seu renascimento, faz com que lhe dêem um Evangelho, os escritos dos cardeais Newman e Manning, a História dos Papas... e planeja escrever, uma vez fora do cárcere, alguma coisa sobre São Francisco, quase como uma reparação por sua "selvagem perseguição do prazer que torna áridos o corpo e o espírito". Em 1897, ele escreve uma carta ao seu amante, o lorde Alfred Douglas, que leva o título De profundis – as palavras iniciais do Salmo 130.
Em 30 de novembro de 1900, Oscar Wilde morre, depois de ter entrado para a Igreja Católica— da qual sempre havia sido admirador confesso — e de ter recebido o sacramento da Extrema Unção [2].
Assim como Charles Baudelaire, Paul Verlaine, Arthur Rimbaud e Joris-Karl Huysmans (que depois se tornará oblato beneditino), todos tendo passado, uns mais outros menos, por um forte relacionamento com a fé religiosa, também Wilde não pode ser compreendido senão remontando à sua pergunta: são os prazeres do mundo, os "frutos terrestres", que saciam a fome do homem, ou, ao contrário, a nossa "inquietude", para citar Agostinho, é saciada somente pelo encontro com Deus?
Reportamos abaixo algumas frases de seu livro De profundis, escrito quando o poeta já não estava mais sobre um palco, mas debaixo do pedestal sob o qual ele mesmo quis se meter, para ser, por si mesmo, o sentido da própria vida; escrito quando, no lugar dos prazeres sensuais e da dissipação, restaram apenas a dor e a solidão; quando a tentativa de construir uma vida esplêndida, para além do bem e do mal, "como se Deus não existisse" e "tudo fosse permitido", terminou se revelando um fracasso:
"Devo dizer a mim mesmo que eu me arruinei, e que ninguém, grande ou pequeno, pode ser arruinado, exceto por sua própria mão. Estou quase pronto para dizê-lo. Estou tentando dizê-lo, ainda que, no presente momento, talvez não seja o que pensem. Essa cruel acusação eu trago sem piedade contra mim mesmo. Foi terrível o que o mundo fez para mim, mas muito mais terrível foi o que eu fiz a mim mesmo. [...] Diverti-me sendo um vagabundo, um dândi, um homem da moda. Acerquei-me das naturezas mais baixas e das mentes mais mesquinhas. Tornei-me o dissipador do meu próprio gênio, e trouxe-me uma curiosa alegria desperdiçar uma eterna juventude. Cansado de ficar nas alturas, deliberadamente desci às profundezas, à procura de uma nova sensação. O que me era o paradoxo na esfera do pensamento tornou-se para mim a perversidade na esfera da paixão. O desejo, no fim das contas, era uma doença, ou uma loucura, ou os dois. Cresci sem prestar atenção às vidas dos outros. Senti prazer no que me agradava, e fui em frente. Esqueci que toda pequena ação do dia comum constrói ou destrói o caráter e que, portanto, o que alguém fez na câmara secreta um dia terá que clamar do alto dos telhados. Deixei de ser senhor de mim mesmo. Deixei de ser o capitão da minha alma, e não sabia. Permiti que o prazer me dominasse. Terminei terrivelmente desgraçado. Só me resta agora uma coisa, a humilhação absoluta."
Depois, falando de Jesus, ele escreve que:
"Piedade ele tem, é claro, pelos pobres, por aqueles que são encerrados nas prisões, pelos humildes, pelos miseráveis; mas ele tem muito mais compaixão dos ricos, dos hedonistas obstinados, daqueles que desperdiçam a sua liberdade tornando-se escravos das coisas, daqueles que usam roupas finas e vivem em casas de reis. Riquezas e prazer pareciam-lhe ser, na verdade, tragédias maiores que a pobreza ou o sofrimento. [...] No Natal consegui a posse do Novo Testamento em grego e, toda manhã, depois de limpar minha cela e polir meus metais, leio um pouco dos Evangelhos, uma dúzia de versos tomados por acaso. É uma forma agradável de começar o dia. Todo o mundo, mesmo que em uma vida turbulenta e indisciplinada, deveria fazer o mesmo."
Isto era o que esperava Oscar Wilde: que Jesus tivesse piedade também dele e de seu hedonismo desenfreado, do qual ele tinha se aproximado para construir a própria felicidade, mas que se tornou, contudo, o motivo da sua ruína.
Fonte: La Nuova Bussola Quotidiana | Tradução: Equipe Christo Nihil Præponere

Referências

  1. MEI, Francesco. Oscar Wilde (Le Vite). Milano: Rusconi, 1987.
  2. GULISANO, Paolo. Il Ritratto di Oscar Wilde. Milano: Ancora, 2009, p. 181.

segunda-feira, março 20, 2017

Borboletas azuis na árvore


As borboletas azuis são belíssimas!

domingo, março 19, 2017

Comentários Eleison: Vida Católica?

Comentários Eleison - por Dom Williamson

Número DV (505) - (19 de março de 2017):


VIDA CATÓLICA?


As mais fortes tempestades se acalmam quando Deus manda.
Os piores homens não podem causar danos quando Deus guarda.

            Outro jovem me escreveu sobre o problema de viver como um católico no mundo que atualmente nos rodeia. Mas que católico consegue não ter problemas nesse mundo de hoje? Suas perguntas sobre o mundo e a Igreja estão em itálico, às quais seguem alguns conselhos do autor destes Comentários:          

            É mais e mais difícil para eu viver uma vida de acordo com a Fé católica. Com relação ao mundo, tão logo eu passe a ganhar minha própria vida, deveria pensar em me mudar para outro país, como por exemplo, a França, a fim de buscar lá os meios para fundar uma família cristã (por exemplo, esposa, sacerdotes católicos que defendam a Tradição, etc.)? Quanto à Missa, a Missa Tradicional mais próxima de minha cidade está em B., onde há uma capela da Neofraternidade e outra capela que depende da Neoigreja. O que Sua Excelência me recomendaria fazer? Não conheço nenhum sacerdote da Resistência em meu país, nem mesmo de muitos católicos verdadeiros – que correspondam ao modo como entendo isto.

A respeito do mundo, eu não recomendaria que você se mudasse para qualquer outro país. É muito provável que encontrasse lá os mesmos problemas, e teria cortado suas raízes nativas em seu próprio país. Você pode pensar que essas raízes em uma cidade moderna não valem muito, mas elas estão melhores do que nada. “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”. Você arriscaria pular “de a panela para a frigideira”, em vez de pular da panela para a mesa da cozinha. A Providência pôs você na cidade onde tem agora sua família e seus amigos. As soluções hoje são bem mais internas do que externas, sobretudo quando a Guerra Mundial pode começar em pouco tempo (todo o Sistema americano está contra Trump, e quer guerra!).

            O mesmo em relação à frequência na Missa. A “outra capela” que você menciona já foi melhor do que é hoje. De modo semelhante à FSSPX, como você sabe. A apostasia hoje está em toda parte. Eu não tomaria decisões geográficas. Você poderia juntar-se um dia ao sacerdote que parece melhor, e pouco depois ele enlouqueceria também. Isto tem acontecido frequentemente na Igreja atualmente. A solução deve ser mais interna do que externa.

            No que concerne à solução interna, como você lê os “Comentários Eleison”, então sabe como frequente e repetidamente eu recomendo que se reze todos os quinze Mistérios do Rosário diariamente. Bons livros (e boa música) também ajudam consideravelmente a nutrir e a proteger a mente e o coração. Leia os que realmente lhe interessam, porque você aproveitará esses livros bem mais do que aqueles que ler somente por dever. Deus Todo-Poderoso vê da eternidade em que desastre o mundo moderno se meteu. Ele vê também da eternidade que ainda há almas hoje que querem ir para o Céu. É imaginável que nas grandes cidades infernais atuais Ele deixaria essas almas sem nenhum recurso enquanto elas querem permanecer no caminho para o Céu?

            No entanto, Ele previu que todo o exterior cairia sob o controle de Seus inimigos: chamadas telefônicas, e-mails, drones, universidades, política, lei, medicina, etc., etc. Eis porque eu acho que o que Ele quer dizer ao permitir tal poder aos Seus inimigos é conduzir-nos de volta para Ele e para uma verdadeira prática de Sua santa religião apesar do pior que os Papas e sacerdotes possam fazer. Portanto, em minha opinião, contente-se em assistir à Missa Tridentina menos contaminada que houver em qualquer lugar perto de você, faça regularmente a Confissão com qualquer sacerdote que ainda esteja disposto a escutar Confissões e que não diga a você que um pecado não é um pecado, e encontre um modo de rezar todos os dias os quinze Mistérios do Rosário. E então “mantenha sua alma paciente” e silenciosamente peça a Deus que mostre a você o caminho para o Céu, e que intervenha aqui embaixo antes que tudo esteja perdido. Apesar de todas as aparências, Ele continua em perfeito controle.


Kyrie eleison.